Os professores que hoje fazem greve não querem que o seu desempenho seja avaliado, nem em termos quantitativos (proporção de aprovações, reprovações e abandono escolar) nem em termos qualitativos mediante a opinião dos encarregados de educação, representantes dos principais interessados: os alunos. Tão pouco querem que haja uma diferença de estatuto e salário que distinga os melhores professores (e que tímida distinção ainda é esta na qual a "antiguidade" ainda tem um peso excessivo relativamente à qualidade, único critério de interesse público). Acham que um fraco professor tem o mesmo direito que um bom professor a chegar ao topo da carreira. No entanto, são os mesmos professores que ganham a vida a avaliar o desempenho dos seus alunos e a distinguir os melhores alunos com boas notas e os piores com a reprovação.
É pena que o estatuto proposto pelo governo não ponha em causa o direito ao emprego vitalício a cargo dos contribuintes. Porque se o emprego vitalício pode ser tolerado num país como a França onde os funcionários públicos têm uma cultura de serviço público, tal não acontece em Portugal onde o cargo público é rapidamente reinterpretado como uma renda.
Os trinta anos decorridos desde o vinte cinco de Abril de 1974 não chegaram para mudar a mentalidade de "auto-serviço" da generalidade do funcionalismo público. Entretanto, o mundo mudou. Os "direitos" dos funcionários públicos já não são, se é que alguma vez o foram, um "padrão" instrumental na elevação das condições de trabalho e de vida da generalidade dos trabalhadores. Antes representam um peso acrescido na carga fiscal que apenas se justifica pela qualidade e pertinência do serviço prestado pelos funcionários públicos.
Porque é que não se fazem grandes manifestações pela subida do vergonhoso salário mínimo nacional? Porque é que não se defende essas pessoas que trabalham oito horas por dia, cinco dias por semana, por uns parcos 385,90 Euros?
RESPOSTA: Porque, ao contrários dos professores, essas pessoas não têm qualquer poder.