segunda-feira, 13 de Novembro de 2006

Salário mínimo

Em 2006/10/17, deplorando a fracção dos professores do ensino público que se insurgiram por não quererem ser avaliados e considerarem os seus cargos públicos como propriedades pessoais e coutadas corporativas, escrevi: "Porque é que não se fazem grandes manifestações pela subida do vergonhoso salário mínimo nacional? Porque é que não se defende essas pessoas que trabalham oito horas por dia, cinco dias por semana, por uns parcos 385,90 Euros?" Acabámos de atravessar dois dias (9 e 10 de Novembro) de greve da função pública (na realidade de uma fracção que dificilmente terá chegado aos 40%) contra o aumento de 1,5% para 2007 e contra os quadros de supranumerários, mas não contra o salário mínimo que, para além de ser escandalosamente baixo para os que dele têm de viver, encoraja uma economia de mão-de-obra intensiva insustentável que o país já devia ter abandonado há muito tempo. Felizmente o governo de Sócrates não se governa por manifestações. Após ter tirado o travão que impediu durante muitos anos a subida do salário mínimo (a indexação de várias prestações sociais ao salário mínimo), prepara-se agora, segundo a Visão online, para subir o salário mínimo entre 3,5% e 4% para os 400 €. A intenção do executivo é, ao que parece, a de realizar mais subidas acima da média nos próximos anos afim de, a breve trecho, tornar o salário mínimo numa remuneração capaz de satisfazer as condições mínimas de decência. Apesar de muito satisfeito com o comportamento do governo, não esqueço a mancha política e moral que constituem as absurdas regalias do governador do Banco de Portugal (Ver Portugal e a Harmonia das Esferas). Esperemos que também isso seja resolvido a breve trecho.