O exame crítico da informação relativa à Gripe Suína -- ou "Gripe A," como se convencionou chamar na nossa disciplinada Europa por política correcção face aos interesses da indústria do presunto, -- tem sofrido horrores às mãos do sistema de educação bicéfala que separa as gentes das letras (de onde saem os jornalistas) das gentes das ciências, privando os primeiros das competências aritméticas e lógicas mais elementares, e os segundos da curiosidade transversal que mesmo os rudimentos de uma educação humanista não deixa de suscitar.
Já em meados de Setembro, o Dr. Marc Lipsitch da Universidade de Harvard afirmava (2009-09-16, Reuters), como muitos outros o faziam e têm continuado a fazer, que a a Gripe A é relativamente benigna nas suas manifestações. Para além disso, e baseado no exame da informação então disponível em todo o mundo, estimou que a taxa de mortalidade do H1N1 (número de mortes por número de pessoas afectadas) variava entre 0,007% e 0,045%.
Num outro artigo mais recente da mesma agência noticiosa (2009-11-11, Reuters), ficamos a saber que a taxa de mortalidade da gripe sazonal (aquela que chega todos os anos e nos põe num estado lastimoso pelo menos uma ou duas semanas) é de menos de 0,1%, um valor nitidamente superior à taxa de mortalidade estimada pelo Dr. Lipsitch para a Gripe Suína ou "Gripe A."
Neste último artigo fiquei a saber que, nos E.U.A., anualmente, a gripe sazonal afecta (isto é: infecta) cerca de 20% da população americana, tendo como resultado, também anual, a morte de cerca de 36.000 pessoas. Mediante uma rápida consulta do magnífico motor de pesquisa de dados Wolfram Alfa, fiquei a saber que os E.U.A. contam presentemente com 306 milhões de pessoas. Fazendo uso das tais elementares competências aritméticas que tanto fazem falta aos jornalistas não especializados, rapidamente se conclui que, nos E.U.A., a gripe sazonal afecta anualmente 61.200.000 (sessenta e um milhões e duzentas mil) pessoas.
Se, destes 61.200.000 americanos, 36.000 morrem vitimados pela gripe sazonal, podemos determinar muito simplesmente a taxa de mortalidade dividindo o número de mortos pelo número de infectados (o que dá, arredondando pelos primeiros três números significativos, 0,000588) e multiplicando o resultado por 100 afim de obtermos um resultado expresso em percentagem. Concluímos assim que a taxa de mortalidade usual da gripe sazonal nos E.U.A. é de 0,0588%, abaixo, portanto do limite de 0,1% que caracteriza a gripe sazonal, mas ainda assim acima da média (0,026%) dos dois valores-limite entre os quais o Dr. Lipsitch estimava, em meados de Setembro, situar-se a taxa de mortalidade da Gripe. Mas, mais do que isso: acima do limite superior da estimativa do Dr. Lipsitch: 0,045%. Ou seja, a confirmar-se o pior cenário implicado nas previsões do Dr. Lipsitch, a Gripe A será sensivelmente menos mortífera do que a aborrecida gripe sazonal.
É claro que o crítico poderá sempre alegar que os dados do Dr. Lipsitch datam de Setembro e que, entretanto, a situação evoluiu, e que um maior número de pessoas infectadas e dados mais precisos poderão revelar-nos um cenário totalmente diferente na hora de computar de novo taxas de mortalidade.
Embora tenhamos que nos conformar com o carácter fragmentário dos dados de uma situação em desenvolvimento, podemos ainda assim operar a magia da aritmética elementar desde que tenhamos acesso a dados de uma fonte fidedigna relativos a um universo suficientemente grande.
É assim que nos podemos virar para um outro artigo da Reuters (2009-11-16) intitulado, em linha com o alarmismo institucional que nos administram pela linha de soro dos media, "Os casos de Gripe H1N1 na Alemanha duplicam numa semana." Segundo informação facultada pelo Instituto Robert Koch Para as Doenças Infecciosas, tinham morrido, à data, 16 pessoas de um total de "mais de 50.000 infectados."
Descartemos por um instante a nossa costela de jornalista não-especializado e ponhamos o nosso boné de aritmético amador. Um total de mais de 50.000 infectados pode situar-se legitimamente entre os 50.000 e os 55.000, mas sabendo que quando maior a base de cálculo da taxa de mortalidade menor a taxa, a errar é sempre melhor fazê-lo em benefício da opinião contrária à nossa afim de não sermos acusados de parcialidade. Assumamos, por isso, o pior dos cenários, a saber, uma base de 50.000 infectados. Dividindo as 16 mortes pelo universo de 50.000 contaminados e multiplicando por 100 afim de obtermos um resultado em percentagem, descobrimos que, ta-da!, até 16 de Novembro último, há precisamente uma semana, a taxa de mortalidade da Gripe A, na Alemanha, calculada a partir dos dados fornecidos por uma instituição fidedigna, e assumindo o pior cenário possível, era, nada mais nada menos do que 0,0320%, um valor extremamente baixo quando comparado com o valor máximo de referência para a gripe sazonal (0,1%), mas também um valor significativamente baixo quando comparado com a taxa de mortalidade anual da gripe sazonal nos E.U.A. (0,0588%).
Os nossos lúcidos críticos, defensores das políticas do Estado Português e das políticas e recomendações de ainda maiores luminárias institucionais fabulosamente estrangeiras (UE, OMS), não deixarão de apontar o facto de eu estar a comparar valores para a Gripe A calculados a meio da expansão da pandemia contra valores da (também pandémica) gripe sazonal calculados a partir dos dados de um ciclo pandémico anual completo.
Possivelmente, os críticos mais desastrados invocariam o facto de que, segundo o Instituto Robert Koch Para as Doenças Infecciosas, há uma semana atrás, o número de infectados tinha duplicado na semana precedente, pelo que, perguntarão, em que situação catastrófica estaremos a viver neste momento! Ao que teria de lembrar-lhes que estariam a fazer o tipo de extrapolações de performances futuras sobre performances passadas que levou muita gente avisada a arruinar-se na bolsa e nos fundos de investimento.
Ambas objecções laborariam na suposição de que a taxa de mortalidade variaria na razão directa do ritmo de expansão da pandemia e de que, dado o facto de ainda não termos chegado à altura do ano em que as gripes sazonais costumam chegar ao seu pico, provavelmente os meus dados não incluiriam o pico, hipoteticamente mais mortífero, da Gripe A.
Devo, no entanto, recordar que os especialistas são unânimes ao estimar que o ritmo de progressão da Gripe A é mais rápido do que o da gripe sazonal, pelo que, pela mesma ordem de ideias, o pico da progressão deveria ser atingido mais cedo, se é que ainda o não foi. Ora, se estivermos perto do pico da progressão e houver de facto uma correlação entre o ritmo da progressão e a taxa de mortalidade, podemos aduzir que, mais uma vez, os meus cálculos erram em benefício da opinião oposta, uma vez que os dados em que se baseiam não incluem a lenta extinção da pandemia, supostamente menos letal.
Ora, segundo as últimas notícias (2009-11-22, Reuters), poderemos mesmo ter ultrapassado o pico da progressão da pandemia da Gripe A nos E.U.A. e na Europa Ocidental, sendo que, presentemente, o crescendo se mantém na Europa Oriental segundo o padrão de expansão, pelos vistos habitual, das gripes sazonais. A confirmarem-se estas notícias, é mesmo possível que a "duplicação" de casos na Alemanha na segunda semana do mês de Novembro não tenha sido senão a "crista da onda," se me é permitida a expressão, na sua (pelos vistos) rotineira progressão para leste.
Entretanto, na mesma notícia, ficamos a saber que, aqui e ali, os laboratórios têm detectado variantes do H1N1, alguns dos quais mais virulentos, mas nenhum, até agora, com provada capacidade de fácil transmissão. Dada a intensidade do escrutínio e a magnitude dos meios empregues, não me espanta que se encontre aqui e ali variantes com maior ou menor virulência, a maior parte pouco eficaz em termos de contágio. Aliás, também isto acontece com a gripe sazonal, e esta é precisamente a razão pela qual, cada ano, se explica às pessoas que a vacina não representa uma garantia absoluta contra a gripe, a qual não cessa de desenvolver novas variantes.
Um outro efeito, mas mais perverso, do alarmismo de agências internacionais obrigadas a justificar anualmente a sua existência, é o aparente (?) aparecimento de estirpes resistentes ao Tamiflu em Gales, no Reino Unido. A verificar-se, terá provavelmente sido o resultado directo do uso excessivo do Tamiflu, o qual terá, por sua vez, sido o resultado dos anos de histeria da Gripe das Aves e da excitada publicitação do milagroso antiviral produzido pela Roche AG com a Gilead Sciences Inc.
Felizmente, parecem existir alternativas, e depois da Roche ter equilibrado as suas contas será a vez da GlaxoSmithKline (aqui com a Biota Inc.) acrescentar aos proveitos gerados pela Pandemrix os do seu novo antiviral, Relenza... É claro que, mesmo antes que o aparecimento de uma estirpe resistente ao Tamiflu e suficientemente contagiosa seja inequivocamente comprovado, a prudência não deixará de ditar que, pelo mundo fora, muito dólares, euros, pesos, libras e rublos dos contribuintes sejam "investidos" em magníficas reservas do novo antiviral da GlaxoSmithKline.
Felizmente, podemos contar com o zelo com que os jornalistas reproduzem as informações prestadas pelas agências internacionais, como é o caso do autor do último artigo da Reuters acima citado (2009-11-22) onde se cita a afirmação oriunda da OMS, segundo a qual "pelo menos 6.770 mortes foram registadas a nível mundial desde que o vírus da gripe suína ["Gripe A" para nós] emergiu em Abril," número que, considerando o facto de que a Gripe A está a atingir o pico, é educativo comparar com o número anual de mortes que, segundo a mesma agência noticiosa (mas num outro artigo: 2009-11-11, Reuters) e a mesma agência internacional (num outro comunicado), são causadas, a nível mundial, pela gripe sazonal: entre 250.000 e 500.000 mortes.
Francamente -- e o leitor perdoar-me-á que, neste troço final, e depois de um exame laborioso de toda a situação, tire por uns instantes as luvas de pelica -- francamente, a sensação que me dá é a de estar a ser gozado à grande e à francesa!
Já em meados de Setembro, o Dr. Marc Lipsitch da Universidade de Harvard afirmava (2009-09-16, Reuters), como muitos outros o faziam e têm continuado a fazer, que a a Gripe A é relativamente benigna nas suas manifestações. Para além disso, e baseado no exame da informação então disponível em todo o mundo, estimou que a taxa de mortalidade do H1N1 (número de mortes por número de pessoas afectadas) variava entre 0,007% e 0,045%.
Num outro artigo mais recente da mesma agência noticiosa (2009-11-11, Reuters), ficamos a saber que a taxa de mortalidade da gripe sazonal (aquela que chega todos os anos e nos põe num estado lastimoso pelo menos uma ou duas semanas) é de menos de 0,1%, um valor nitidamente superior à taxa de mortalidade estimada pelo Dr. Lipsitch para a Gripe Suína ou "Gripe A."
Neste último artigo fiquei a saber que, nos E.U.A., anualmente, a gripe sazonal afecta (isto é: infecta) cerca de 20% da população americana, tendo como resultado, também anual, a morte de cerca de 36.000 pessoas. Mediante uma rápida consulta do magnífico motor de pesquisa de dados Wolfram Alfa, fiquei a saber que os E.U.A. contam presentemente com 306 milhões de pessoas. Fazendo uso das tais elementares competências aritméticas que tanto fazem falta aos jornalistas não especializados, rapidamente se conclui que, nos E.U.A., a gripe sazonal afecta anualmente 61.200.000 (sessenta e um milhões e duzentas mil) pessoas.
Se, destes 61.200.000 americanos, 36.000 morrem vitimados pela gripe sazonal, podemos determinar muito simplesmente a taxa de mortalidade dividindo o número de mortos pelo número de infectados (o que dá, arredondando pelos primeiros três números significativos, 0,000588) e multiplicando o resultado por 100 afim de obtermos um resultado expresso em percentagem. Concluímos assim que a taxa de mortalidade usual da gripe sazonal nos E.U.A. é de 0,0588%, abaixo, portanto do limite de 0,1% que caracteriza a gripe sazonal, mas ainda assim acima da média (0,026%) dos dois valores-limite entre os quais o Dr. Lipsitch estimava, em meados de Setembro, situar-se a taxa de mortalidade da Gripe. Mas, mais do que isso: acima do limite superior da estimativa do Dr. Lipsitch: 0,045%. Ou seja, a confirmar-se o pior cenário implicado nas previsões do Dr. Lipsitch, a Gripe A será sensivelmente menos mortífera do que a aborrecida gripe sazonal.
É claro que o crítico poderá sempre alegar que os dados do Dr. Lipsitch datam de Setembro e que, entretanto, a situação evoluiu, e que um maior número de pessoas infectadas e dados mais precisos poderão revelar-nos um cenário totalmente diferente na hora de computar de novo taxas de mortalidade.
Embora tenhamos que nos conformar com o carácter fragmentário dos dados de uma situação em desenvolvimento, podemos ainda assim operar a magia da aritmética elementar desde que tenhamos acesso a dados de uma fonte fidedigna relativos a um universo suficientemente grande.
É assim que nos podemos virar para um outro artigo da Reuters (2009-11-16) intitulado, em linha com o alarmismo institucional que nos administram pela linha de soro dos media, "Os casos de Gripe H1N1 na Alemanha duplicam numa semana." Segundo informação facultada pelo Instituto Robert Koch Para as Doenças Infecciosas, tinham morrido, à data, 16 pessoas de um total de "mais de 50.000 infectados."
Descartemos por um instante a nossa costela de jornalista não-especializado e ponhamos o nosso boné de aritmético amador. Um total de mais de 50.000 infectados pode situar-se legitimamente entre os 50.000 e os 55.000, mas sabendo que quando maior a base de cálculo da taxa de mortalidade menor a taxa, a errar é sempre melhor fazê-lo em benefício da opinião contrária à nossa afim de não sermos acusados de parcialidade. Assumamos, por isso, o pior dos cenários, a saber, uma base de 50.000 infectados. Dividindo as 16 mortes pelo universo de 50.000 contaminados e multiplicando por 100 afim de obtermos um resultado em percentagem, descobrimos que, ta-da!, até 16 de Novembro último, há precisamente uma semana, a taxa de mortalidade da Gripe A, na Alemanha, calculada a partir dos dados fornecidos por uma instituição fidedigna, e assumindo o pior cenário possível, era, nada mais nada menos do que 0,0320%, um valor extremamente baixo quando comparado com o valor máximo de referência para a gripe sazonal (0,1%), mas também um valor significativamente baixo quando comparado com a taxa de mortalidade anual da gripe sazonal nos E.U.A. (0,0588%).
Os nossos lúcidos críticos, defensores das políticas do Estado Português e das políticas e recomendações de ainda maiores luminárias institucionais fabulosamente estrangeiras (UE, OMS), não deixarão de apontar o facto de eu estar a comparar valores para a Gripe A calculados a meio da expansão da pandemia contra valores da (também pandémica) gripe sazonal calculados a partir dos dados de um ciclo pandémico anual completo.
Possivelmente, os críticos mais desastrados invocariam o facto de que, segundo o Instituto Robert Koch Para as Doenças Infecciosas, há uma semana atrás, o número de infectados tinha duplicado na semana precedente, pelo que, perguntarão, em que situação catastrófica estaremos a viver neste momento! Ao que teria de lembrar-lhes que estariam a fazer o tipo de extrapolações de performances futuras sobre performances passadas que levou muita gente avisada a arruinar-se na bolsa e nos fundos de investimento.
Ambas objecções laborariam na suposição de que a taxa de mortalidade variaria na razão directa do ritmo de expansão da pandemia e de que, dado o facto de ainda não termos chegado à altura do ano em que as gripes sazonais costumam chegar ao seu pico, provavelmente os meus dados não incluiriam o pico, hipoteticamente mais mortífero, da Gripe A.
Devo, no entanto, recordar que os especialistas são unânimes ao estimar que o ritmo de progressão da Gripe A é mais rápido do que o da gripe sazonal, pelo que, pela mesma ordem de ideias, o pico da progressão deveria ser atingido mais cedo, se é que ainda o não foi. Ora, se estivermos perto do pico da progressão e houver de facto uma correlação entre o ritmo da progressão e a taxa de mortalidade, podemos aduzir que, mais uma vez, os meus cálculos erram em benefício da opinião oposta, uma vez que os dados em que se baseiam não incluem a lenta extinção da pandemia, supostamente menos letal.
Ora, segundo as últimas notícias (2009-11-22, Reuters), poderemos mesmo ter ultrapassado o pico da progressão da pandemia da Gripe A nos E.U.A. e na Europa Ocidental, sendo que, presentemente, o crescendo se mantém na Europa Oriental segundo o padrão de expansão, pelos vistos habitual, das gripes sazonais. A confirmarem-se estas notícias, é mesmo possível que a "duplicação" de casos na Alemanha na segunda semana do mês de Novembro não tenha sido senão a "crista da onda," se me é permitida a expressão, na sua (pelos vistos) rotineira progressão para leste.
Entretanto, na mesma notícia, ficamos a saber que, aqui e ali, os laboratórios têm detectado variantes do H1N1, alguns dos quais mais virulentos, mas nenhum, até agora, com provada capacidade de fácil transmissão. Dada a intensidade do escrutínio e a magnitude dos meios empregues, não me espanta que se encontre aqui e ali variantes com maior ou menor virulência, a maior parte pouco eficaz em termos de contágio. Aliás, também isto acontece com a gripe sazonal, e esta é precisamente a razão pela qual, cada ano, se explica às pessoas que a vacina não representa uma garantia absoluta contra a gripe, a qual não cessa de desenvolver novas variantes.
Um outro efeito, mas mais perverso, do alarmismo de agências internacionais obrigadas a justificar anualmente a sua existência, é o aparente (?) aparecimento de estirpes resistentes ao Tamiflu em Gales, no Reino Unido. A verificar-se, terá provavelmente sido o resultado directo do uso excessivo do Tamiflu, o qual terá, por sua vez, sido o resultado dos anos de histeria da Gripe das Aves e da excitada publicitação do milagroso antiviral produzido pela Roche AG com a Gilead Sciences Inc.
Felizmente, parecem existir alternativas, e depois da Roche ter equilibrado as suas contas será a vez da GlaxoSmithKline (aqui com a Biota Inc.) acrescentar aos proveitos gerados pela Pandemrix os do seu novo antiviral, Relenza... É claro que, mesmo antes que o aparecimento de uma estirpe resistente ao Tamiflu e suficientemente contagiosa seja inequivocamente comprovado, a prudência não deixará de ditar que, pelo mundo fora, muito dólares, euros, pesos, libras e rublos dos contribuintes sejam "investidos" em magníficas reservas do novo antiviral da GlaxoSmithKline.
Felizmente, podemos contar com o zelo com que os jornalistas reproduzem as informações prestadas pelas agências internacionais, como é o caso do autor do último artigo da Reuters acima citado (2009-11-22) onde se cita a afirmação oriunda da OMS, segundo a qual "pelo menos 6.770 mortes foram registadas a nível mundial desde que o vírus da gripe suína ["Gripe A" para nós] emergiu em Abril," número que, considerando o facto de que a Gripe A está a atingir o pico, é educativo comparar com o número anual de mortes que, segundo a mesma agência noticiosa (mas num outro artigo: 2009-11-11, Reuters) e a mesma agência internacional (num outro comunicado), são causadas, a nível mundial, pela gripe sazonal: entre 250.000 e 500.000 mortes.
Francamente -- e o leitor perdoar-me-á que, neste troço final, e depois de um exame laborioso de toda a situação, tire por uns instantes as luvas de pelica -- francamente, a sensação que me dá é a de estar a ser gozado à grande e à francesa!